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Se não existisse o desemprego, o regime ultra liberal inventá-lo-ia. Ele é-lhe indispensável. É ele que permite à economia privada manter sob o seu jugo a população planetária mantendo a «coesão» social, isto é, a sujeição.
A sua política ocupa.-se então em manter o respectivo conceito num contexto em que já não tem lugar e ameaça todos os indevíduos, com poucas excepções. Haverá algum meio mais eficaz de constrangimento? Haverá melhor garantia de «paz siocial»?
Na condição, todavia, de não perturbar a velha ordem de valores relativos ao desemprego e ao emprego, de levar uns à sua veneração, mesmo que os outros os espezinhem.
De considerar «arcaica» qualquer preocupação àqueles que sofrem a manutenção de talsituação,e qualquer crítica a uma modernidade que consiste em arranjar maneira de o emprego ser tão fundamental para uns como o lucro para aqueles de que depende - enquanto empregos e lucros se tornam incompatíveis.
Portanto, na condição de evitar qualquer reavaliação, qualquer actualização,qualquer esclarecimento do sistema actual.
Donde a exaltação do culto do emprego à medida que o emprego desaparece, como a focagem nele de toda a vida social e política, enquanto o desemprego se espalha.
Trata-se, enquanto este se encrusta,estrutural,de impor uma versão do emprego que dê a sua raridadepor acidental e furtiva, prestes a desaparecer - e de desdramatizar assim, muito oficialmente, a situação dos desempregados.De anunciar que só lhes é pedido um pouco de paciência e que seriam muito ingratos se não se comovessem com todas as penas a que se sujeitam por eles enquanto eles nada fazem, como o esforço incansável desenvolvido para encorajar as suas ilusões a propósito de promessas que é suposto já virtualmente cumpridas e , por fim, testemunhar essa confiança não tratando dos seus problemas, considerados praticamente resolvidos.
Essa boa consciência permite insinuar que o estado dos desempregados não se deve em nada às carências da sociedade, mas sim à sua própria incapacidade,azar ou falta de jeito. Ou ainda à sua preguíça.
Páginas 93 e 94 do livro UMA ESTRANHA DITADURA de VIVIANE FORRESTER
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