Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

A PALAVRA A QUEM SABE!

-

Todos os dias assistimos ao fiasco do ultraliberlismo.

Todos os dias esse sistema ideológico, baseado no dogma (ou na ilusão) de uma auto-regulação da economia dita de mercado demonstra a sua incapacidade de se gerir a si próprio, de controlar o que suscita, de dominar o que desendandeia. A ponto de as suas iniciativas, tão cruéis para o conjunto das populações, acabarem por se virar contra ele por efeito de boomerang, enquanto ele se mostra impotente para estabelecer um mínimo de ordem naquilo que persiste em impor.

 

Qual a razão das suas actividades poderem ser prosseguidas com a mesma arrogância, do seu poder tão caduco se ir consolidando e do seu carácter hegemónico se manifestar cada vez mais?

 

Qual, sobretudo, a razão de termos cada vez mais a impressão de vivermos apanhados no seio de um poder fatal,«mundializado», «globalizado», tão poderoso que seria inútil pô-lo em causa, fútil analisá-lo,absurdo opor-se-lhe e delirante simplesmente sonhar em libertar-se de uma tal omnipotência que se diz confundir-se com a história?

 

Qual a razão de não reagirmos em vez de cedermos, e até de darmos permanentemente a nossa aquiescência, tentanizados, como que presos por tenazes,cercados de forças coercivas, difusas, que saturariam todos os territórios consolidados, inextirpáveis e de ordem natural?

 

Seria tempo de acordarmos, de verificarmos, que não vivemos sob o império de uma fatalidade mas, mais banalmente, sob um regime político novo, não declarado de carácter internacional e atéplanetário, que se instalou à vista de todos mas sem ninguém saber, não clandestinamente mas insidiosamente, anonimamente, tanto menos notado quanto a sua ideologia esvazia o próprio princípio da política e a sua força não necessita do poder das suas instituições.

 

Este regime não governa; despreza - melhor, ignora - aquilo e aqueles que haveria de governar. As instâncias, as funções políticas clássicas, subalternas a seus olhos, não lhes interessam: pelo contrário, apanhá-lo-iam e, sobretudo, chamariam a atenção sobre ele, permitindo transformá-lo num alvo, dar pelas suas manobras, designá-lo como origem e motor dos dramas planetários a propósito dos quais acaba por nem sequer ser mencionado, pois, se detem a verdadeira gestão do planeta delega nos governos a aplicação do que ela implica.

 

Quanto às populações, só às vezes lhes reage com irritação quando eles fogem à reserva, ao mutismo permanente que supostamente os define.

A questão não é, para esse regime, organizar uma sociedade, estabelecer nesse sentido formas de poder, mas pôr em prática uma ideia fixa, poderia dizer-se maníaca: a obsessão de abrir o caminho ao jogo sem obstáculos do lucro, e de um lucro cada vez mais abstracto, mais virtual.

Acabei de transcrever as duas primeiras páginas deste livro que aconselho vivamente, a sua leitura.

Será que estou a fazer confusão, ou este pequeno trexo, leva-nos até ao "Ensaio sobre a Cegueira " de José Saramago!

Se concordarem digam, se não concordarem digam na mesma!

 

-

 

 

 

publicado por POESIA-NO-POPULAR às 13:52
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42 comentários:
De jorge a 16 de Julho de 2008 às 15:25

Amigo e camarada Zé.....concordo com tudo e de que maneira...!!!! Abraço!


De POESIA-NO-POPULAR a 16 de Julho de 2008 às 18:00
Jorge
Contra factos não podem haver argumentos, a mulher conheçe a fundo os podres desta sociedade, e tem uma apontaria infalível!
Abraço
JM


De maria a 16 de Julho de 2008 às 19:59
E eu a entrar aqui à espera de uma poesia fácil de comentar, pois estou "a correr" para Braga, e dou de caras com um texto deste....
Não tenho tempo agora, Camarada.
Volto depois.

Um beijo


De POESIA-NO-POPULAR a 16 de Julho de 2008 às 21:24
Sua sortuda vai até Braga, ainda agora chegou da Baía e eu que me desunhe a trabalhar1
Maria ao menos bebe um copinho do verdasco por mim OK.
Faz boa viagem , e não é preciso dizer para te divertires, não é verdade?
Bjo
JM


De J. Stocker a 16 de Julho de 2008 às 20:30
Caro Amigo

J. Manangão

Não lhe consigo dizer nada sobre este post, são leituras
que eu não comento porque não consigo ler, tentei várias vezes o Saramago e não consegui passar das primeiras páginas.
Fica aqui o meu registo de admiração pela sua tenacidade e empenho em chamar a atenção e defender as suas convicções que na raiz da sua essencia, não diferem muitos dos meus.
A mim falta, talvez, a militância!

Um grande abraço


De POESIA-NO-POPULAR a 16 de Julho de 2008 às 21:35
Amigo J: STocker
O post em questão não é sobre José Saramago, mas sim sobre a escritora francesa Vivian Forrester, autora deste livro titulado "Uma Estranha Ditadura" de que transcrevo as duas primeiras páginas, limitando-me eu a dizer que o texto me fazia lembrar o "Ensaio sobre a Cegueira " de José Saramago, estou certo que:-se o amigo conseguisse ler o livro esquecendo o autor, irá gostar, assim como este da Vivian Forrester.
Apareça sempre porque a sua opinião é importante.
Abraço
JM


De Zorze a 16 de Julho de 2008 às 22:05
Caro Manangão, ainda não li "Ensaio sobre a cegueira" de Saramago, talvez por falta de oportunidade.
Agradeço-lhe a lembrança a este livro de Viviane Forrester. Que irei à procura dele o mais rapidamente possível. Gosto de ler esta escritora/jornalista, tem uma pontaria infalível, como muito bem dizes. Tem a capacidade de desmontar de uma forma lógica muitos enganos em que vivemos.

Abraço,
Zorze

P.S.: É com grande pena que vejo que o meu amigo não possa comparecer a este jantar blogosférico. Fica para o próximo.


De POESIA-NO-POPULAR a 16 de Julho de 2008 às 22:44
Amigo Zorze
Exactamente por issi que o amigo diz , é que é essencial a leitura deste livro da Vivian Forrester.O "Ensaio Sobre a Cegueira" tambem define esta sociadade da qual fazemos parte mas é fixão.
Amigo , um bom jantar Blogosférico para todos.
Abraço
JM


De J. Stocker a 17 de Julho de 2008 às 00:42
Amigo Manangão
Agradeço a sua observação, só volto aqui para esclarecer que li o texto (as primeiras páginas) do livro da Jornalista e escritora) da qual não conheço a obra e pelo facto não me referi a ela, só me tendo debruçado sobre a sua referência final a José Saramago, que como lhe disse tentei ler por várias vezes, mas que nunca consegui passar das primeiras páginas e compro os mesmos para oferecer à MPS e de vez em quando lá fazia a tentativa de os ir buscar à prateleira , mas o resultado era sempre o mesmo.

Um abraço e desculpe a franqueza.


De POESIA-NO-POPULAR a 18 de Julho de 2008 às 22:57
Amigo J. Stocker
A franqueza não é para desculpar, mas , sim para aceitar com respeito e humildade!
Abraço
JM


De j a 18 de Julho de 2008 às 17:13
Da Viviane Forrester outro livro importante. "O Horror Económico".
As denúncias não param, mas -aproveitando a tua oportuna alusão a Saramago-, infelizmente, o pior cego é o que não quer ver.
Um abraço daqui


De jrd a 18 de Julho de 2008 às 17:15
Da Viviane Forrester outro livro importante. "O Horror Económico".
As denúncias não param, mas -aproveitando a tua oportuna alusão a Saramago-, infelizmente, o pior cego é o que não quer ver.
Um abraço daqui


De POESIA-NO-POPULAR a 18 de Julho de 2008 às 23:01
Amigo jrd
Obrigado pela dica, quanto aos cegos vamos tentar fazer luz para que possam ver alguma coisa.
Continuação de boas férias
Abraço
JM


De Crixus a 18 de Julho de 2008 às 20:26
A sugestão parece me muito boa, se encontrar o livro concerteza que o comprarei e vou ler com gosto. Abraço


De POESIA-NO-POPULAR a 18 de Julho de 2008 às 23:06
Crixus
Encontras concerteza, naquela grande livraria, que vai abrir no dia 5-6-7- de Setembro na Quinta da Atalaia.
abraço camarada
JM


De Lena a 18 de Julho de 2008 às 23:02
Completamente em acordo com essa autora.
A ler o texto, até pensei que fosse teu.
Quanto a Saramago, tenho aqui um livro dele e não consegui arrancar com ele, bém comecei, mas ficou ali aberto, a minha espera.

Bom fim de semana José

Beijinhos


De POESIA-NO-POPULAR a 18 de Julho de 2008 às 23:12
Lena
Quem me dera ter competência e capacidade para fazer aquela análise, mas aconselho-te a que o leias, acredita que irás sentir outra força interior.
Sobre Saramago já li quase tudo, acredita que tambem não é tempo perdido.
bom f/s tambem para ti amiga.
JM


De Sérgio Ribeiro a 19 de Julho de 2008 às 10:03
Viva, camarada

O teu post , ligando VF a JS é curioso e, depois, os comentários completam-no bem. O "Horror Económico" fez furor quando saíu e costumo utilizá-llo pela sua aparente facilidade. O JS escreve como grande escritor que é e não é fácil mas, depois, é uma leitura fascinante. Experimentem ler o Saramago em voz alta, como quem conversa consigo mesmo.
Abraços


De POESIA-NO-POPULAR a 19 de Julho de 2008 às 14:11
Olá camarada Sérgio
Ainda não me tinha lembrado dessa (ler JS em voz alta), obrigado pela dica, e pela vizita
Um grande abraço!
Um a


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